terça-feira, 26 de maio de 2009

RECOMEÇAR A VIDA: DIREITO CONQUISTADO COM FORÇA DE VONTADE E SOLIDARIEDADE



Texto, fotos e vídeo: Andréa Loureiro - Técnicas de Reportagem - EQUIPE ESMERALDA

Recomeçar, construir uma nova vida, voltar ao ponto de partida e seguir em frente. Para muitos, isso é uma proeza quase que impossível de se alcançar. Ainda mais, depois de um grave acidente. Mas para o pedreiro Geraldo Cordeiro, 50 anos, isso foi possível. Há três anos foi vítima de um acidente, devido a uma tonteira após um dia cansativo de trabalho: sofreu uma queda na rua que resultou em traumatismo raquimedular, uma lesão na coluna vertebral, causando danos à medula e raízes nervosas.

Geraldo se internou durante um ano em um hospital e passou mais dois anos na Casa de Saúde Nossa Senhora das Dores, em Cascadura, se tratando, fazendo fisioterapia, sendo acompanhado por uma fonoaudióloga e praticando a terapia ocupacional. A terapia é uma das principais atividades disponibilizadas pelo hospital para recuperação dos pacientes. Assim, seu Geraldo reconstruiu sua vida.

“Eu sempre fui acostumado a trabalhar, nunca fui de ficar parado e, quando cheguei ao hospital, só ficava deitado. Nunca imaginei que um dia ia andar de cadeira de rodas. Até fraldas cheguei a usar”, relembra seu Geraldo, falando sobre como foi difícil o recomeço após o acidente.
Atualmente, seu Geraldo Cordeiro pode andar e mexer seus braços com facilidade. Depois de anos trabalhando como pedreiro, ele afirma ter descoberto uma nova profissão. Vive do seu trabalho artesanal, ensinado na terapia ocupacional: faz vasos, molduras, porta CDs, porta trecos e admite sentir-se muito feliz fazendo tudo isso.

“Depois do acidente tive que procurar algo para fazer. Então, aprendi a fazer esses trabalhos na terapia ocupacional. Nunca acreditei que ia ficar paralisado para a vida toda, como muitos médicos disseram. Sempre tive fé em Deus e hoje eu estou aqui”, declara, emocionado.
Na terapia ocupacional os pacientes que sofreram uma lesão neurológica ou um AVC aprendem a fazer diversos trabalhos artesanais que auxiliam e, ao mesmo tempo, motivam a recuperação dos pacientes.

A terapeuta Edna dos Santos revela que, em datas comemorativas como Natal e Dia das mães, são organizados bazares a fim de vender os trabalhos feitos pelos pacientes no hospital para que, com o dinheiro arrecadado, ela possa comprar mais material para dar continuidade à atividade e para que os pacientes não percam a motivação de fazerem seus trabalhos. O foco principal da terapia ocupacional, de acordo com a terapeuta, é recuperar também a auto-estima dos pacientes e fazer com que se socializem uns com os outros.

Mariana Conceição dos Santos, 71 anos, é também uma paciente do hospital Nossa Senhora das Dores. Ela sofreu um AVC e teve todo o seu lado direito paralisado, contudo, é uma das mais animadas na hora de fazer os trabalhos. “O que eu mais gosto de fazer é desenhar flores e colar linha nos desenhos”, afirma dona Mariana. Ao falar sobre o AVC que a vitimou, ela se emocionou e chorou. “Eu faço a terapia porque quero voltar a andar, é o que eu mais quero”. A força de vontade de dona Mariana emociona a todos os outros pacientes presentes do hospital. Recuperar a locomoção motora ou fala e poder voltar a praticar sozinho hábitos da vida diária, como escovar os dentes, se vestir, pentear cabelo e se alimentar, ou seja, alcançar sua autonomia, é um esforço individual dos pacientes Casa de Saúde Nossa Senhora das Dores, que têm a ajuda e o carinho da equipe médica da unidade.

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TRABALHANDO EM EQUIPE

Para o paciente estar na terapia ocupacional ele precisa ser atendido também por uma equipe mutidisciplinar: fisioterapeuta, psicóloga e fonoaudióloga. Ao iniciar a fisioterapia ele começa a recuperar os seus movimentos, e a terapia ocupacional, através das atividades, dá função a esses movimentos. É um trabalho que precisa ser feito em equipe. “A terapia ocupacional trabalha não só com a arte, mas também com movimentos das funções da vida diária”, ensina a terapeuta.

Segundo a fisioterapeuta Vivian Lopes, o seu trabalho consiste num processo de restituição dos movimentos agregado à terapia: “O nosso trabalho é tentar devolver as funções que o paciente perdeu ou melhorar a qualidade de vida dele a partir daquilo que “restou” e trabalhar com o lado que sofreu a lesão. Tentamos dar sustentabilidade a ele, não só com os nossos serviços, mas com a terapia ocupacional que também os ajuda a desenvolver outros tipos de aptidões”, explica

O trabalho realizado pela psicóloga Regina Lúcia Gonçalves é também fundamental em todo o processo do tratamento. Se algum tipo de depressão, falta de entrosamento ou negação de participar das atividades é detectado por alguém da equipe, cabe ao profissional passar essa informação à psicóloga, para que ela possa conversar com o paciente e averiguar qual é o problema dele para que, assim, ele possa retornar à suas atividades individuais e em grupo.

No caso de pacientes onde a sequela foi no campo da fala, a responsabilidade fica nas mãos da fonoaudióloga Mônica da Silva. Além da fala, ela trabalha com a parte cognitiva, porque aí o paciente pode melhorar a dicção e a percepção. “O meu trabalho é voltado para a cognição, porque, sem ela, não se consegue fazer outras coisas. Há muitos casos aqui de pacientes que não vão atingir a fala, por isso procuro focar mais nessa parte da cognição, para tentar melhorar a compreensão e a inteligência do paciente e, também, a sua qualidade de vida. Mesmo o paciente não falando, ele pode nos compreender bem e fazer algum tipo de gesto em reposta, que também é compreendido”, revela Mônica.

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